QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A LIMPEZA DENTÁRIA COM ULTRASSOM E A CURETAGEM MANUAL?
Limpeza com ultrassom ou cureta manual: qual é a diferença?
A remoção profissional de placa bacteriana e cálculo dental — popularmente chamado de tártaro — pode ser realizada com diferentes instrumentos. Entre os mais utilizados estão os aparelhos ultrassônicos e os instrumentos manuais, como as curetas periodontais.
A principal diferença está na forma como esses instrumentos trabalham. O ultrassom utiliza vibrações de alta frequência associadas à irrigação com água, enquanto as curetas são movimentadas manualmente pelo profissional sobre a superfície do dente ou da raiz.
Entretanto, não é correto considerar o ultrassom apenas uma técnica superficial e a cureta apenas uma técnica profunda. Ambos podem fazer parte da instrumentação periodontal, inclusive abaixo da gengiva, dependendo da indicação clínica, do tipo de ponta ou instrumento utilizado e das características de cada região.
Duas formas diferentes de remover cálculo e biofilme
Tanto a instrumentação ultrassônica quanto a manual têm como objetivo remover depósitos aderidos às superfícies dentárias e contribuir para o controle do biofilme bacteriano.
Na terapia periodontal, a escolha não precisa ser uma competição entre duas técnicas. O profissional pode selecionar diferentes instrumentos durante o mesmo atendimento de acordo com o acesso, a anatomia da raiz, a quantidade e localização do cálculo e a resposta do paciente.
Como funciona a limpeza com ultrassom?
O aparelho ultrassônico utiliza uma ponta que realiza movimentos vibratórios em alta frequência. Quando posicionada adequadamente sobre os depósitos aderidos aos dentes, essa vibração auxilia na fragmentação e remoção do cálculo dental.
Durante o procedimento, há irrigação contínua com água. Além de resfriar a ponta do instrumento, o fluxo auxilia na remoção dos resíduos da área que está sendo tratada.
O ultrassom pode ser utilizado tanto em áreas supragengivais, acima da margem da gengiva, quanto em regiões subgengivais, quando existe indicação para instrumentação abaixo da gengiva e são utilizadas pontas apropriadas.
Como funciona a raspagem com curetas?
A instrumentação manual é realizada com instrumentos metálicos específicos, entre eles as curetas periodontais. O profissional posiciona o instrumento sobre a superfície dental ou radicular e realiza movimentos controlados para remover cálculo e outros depósitos.
Existem diferentes formatos de instrumentos e curetas, permitindo acessar regiões específicas dos dentes e das raízes. A instrumentação manual pode ser utilizada tanto acima quanto abaixo da margem gengival.
Uma de suas características é permitir ao profissional uma percepção tátil direta da superfície que está sendo instrumentada, o que pode ser útil em determinadas áreas para identificar depósitos residuais e trabalhar regiões específicas.
Qual é a diferença na prática?
As duas formas de instrumentação podem ser eficazes. A escolha depende principalmente do objetivo do procedimento e das condições encontradas durante o exame.
O ultrassom utiliza vibração mecânica de alta frequência associada à irrigação. A cureta depende do movimento manual controlado realizado pelo profissional.
A instrumentação ultrassônica pode permitir a remoção de depósitos em menor tempo, especialmente quando existe maior quantidade de cálculo.
A instrumentação manual oferece ao profissional contato tátil direto com a superfície radicular e pode ser utilizada para trabalhar áreas específicas com movimentos controlados.
Tanto instrumentos manuais quanto pontas ultrassônicas apropriadas podem ser utilizados para instrumentação subgengival. A escolha depende da anatomia, profundidade, acesso e planejamento periodontal.
Em muitos atendimentos, o dentista pode alternar instrumentos ultrassônicos e manuais para aproveitar as características de cada técnica.
Limpeza dental e tratamento periodontal não são exatamente a mesma coisa
Uma profilaxia ou limpeza profissional realizada em uma pessoa com gengivas saudáveis não deve ser confundida com a instrumentação subgengival necessária para o tratamento da periodontite.
Quando existe doença periodontal, podem se formar bolsas entre o dente e a gengiva, com biofilme e cálculo em regiões abaixo da margem gengival. Nesses casos, o tratamento é planejado de acordo com a extensão e gravidade da doença periodontal.
O dentista pode avaliar profundidade de sondagem, sangramento, perda de inserção periodontal, presença de cálculo e alterações radiográficas para determinar quais regiões precisam de instrumentação subgengival.
O que é raspagem e alisamento radicular?
O termo tradicional raspagem e alisamento radicular é frequentemente utilizado para descrever parte do tratamento periodontal não cirúrgico.
O objetivo atual da instrumentação periodontal não é desgastar extensivamente a raiz nem remover cemento saudável de maneira indiscriminada. O objetivo é remover biofilme e depósitos que contribuem para a inflamação e criar condições para o controle da doença periodontal.
A instrumentação pode ser realizada com instrumentos manuais, ultrassônicos ou com a combinação de ambos, conforme a situação clínica.
Por que algumas pessoas sentem sensibilidade com o ultrassom?
Algumas pessoas relatam desconforto durante a utilização do ultrassom, especialmente quando já apresentam hipersensibilidade dentinária, retração gengival ou raízes expostas.
A vibração, o contato da ponta e a irrigação podem produzir sensações desagradáveis em determinadas regiões. Isso não significa que o ultrassom seja inadequado para todos os pacientes com sensibilidade.
O profissional pode ajustar a potência, selecionar pontas diferentes, modificar a técnica, alternar com instrumentos manuais ou utilizar medidas para controle do desconforto quando necessário.
Ultrassom ou cureta manual?
Não existe uma resposta única para todos os pacientes. Estudos que compararam instrumentos manuais e ultrassônicos no tratamento periodontal mostram que ambos podem produzir bons resultados clínicos quando corretamente utilizados.
O ultrassom pode tornar a instrumentação mais rápida em determinadas situações, enquanto os instrumentos manuais oferecem características táteis e de acesso que podem ser úteis em regiões específicas.
Por isso, em vez de considerar uma técnica sempre superior à outra, o mais adequado é escolher os instrumentos de acordo com cada paciente, cada dente e cada região que precisa ser tratada.
Ultrassom e cureta podem ser usados no mesmo atendimento?
Sim. As duas técnicas podem ser complementares. O profissional pode, por exemplo, utilizar o ultrassom para remover uma quantidade maior de cálculo e posteriormente recorrer a instrumentos manuais em regiões onde considere necessário.
Também pode acontecer o contrário: determinadas áreas podem ser instrumentadas manualmente desde o início, enquanto outras são tratadas com ultrassom.
A decisão depende da quantidade e localização dos depósitos, da anatomia dos dentes e raízes, da presença de bolsas periodontais, do acesso aos locais que precisam ser tratados e do conforto do paciente.
Quando pode ser necessária uma raspagem periodontal?
A indicação depende do exame odontológico. Alguns achados podem demonstrar a necessidade de uma avaliação periodontal mais detalhada.
Presença de cálculo dental acima ou abaixo da gengiva.
Sangramento gengival persistente.
Bolsas periodontais identificadas durante a sondagem.
Perda de inserção dos tecidos que sustentam os dentes.
Alterações ósseas relacionadas à periodontite identificadas em exames.
O que pode acontecer depois da remoção do tártaro?
Dependendo da quantidade de cálculo, da presença de inflamação e da profundidade da instrumentação, algumas pessoas podem apresentar sensibilidade temporária ou discreto desconforto após o procedimento.
Quando a gengiva estava inflamada e aumentada de volume, a redução da inflamação também pode tornar mais evidente uma retração que já estava associada à perda dos tecidos periodontais.
O acompanhamento após o tratamento permite avaliar a resposta dos tecidos e determinar se outras intervenções ou consultas de manutenção serão necessárias.
Tem tártaro, sangramento gengival ou suspeita de periodontite?
A avaliação odontológica permite identificar se existe apenas necessidade de limpeza profissional ou se há alterações periodontais que exigem instrumentação abaixo da gengiva e acompanhamento específico.
A técnica e os instrumentos são escolhidos de acordo com as necessidades de cada paciente.
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